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Homenagens, choro e agradecimento. Os últimos momentos de Marcos como goleiro

O empate em 1×1 do Paraná Clube com o Boa Esporte, no último sábado (25), no Couto Pereira, não reservou muitas emoções durante os 90 minutos, com uma partida com poucos lances de perigo e bastante arrastado, com os gols apenas nos minutos finais. Porém, antes e depois de a bola rolar, a festa tomou conta dos paranistas, dentro e fora do estádio. Afinal, era a despedida da Série B depois de dez anos. Mas um outro motivo fez o Alto da Glória se emocionar.

A partida marcou também a despedida do goleiro Marcos como atleta profissional. O jogador que mais vezes vestiu a camisa do Tricolor, com 367 jogos, foi titular diante dos mineiros em uma tarde repleta de homenagens.

Assim que subiu ao campo para o aquecimento, Marcos foi muito aplaudido e ovacionado pelos torcedores. Era apenas um aperitivo do que vinha pela frente. Antes do início da partida, o arqueiro foi homenageado pelo clube. Das mãos do presidente Leonardo Oliveira e do goleiro titular Richard, que não jogou por conta de uma lesão, recebeu uma placa por tanto tempo de dedicação ao time. Dos 20 anos de carreira como profissional, dez foram de Paraná Clube, o único time brasileiro que defendeu. O resto passou no futebol português.

“Quis o destino que o primeiro jogo da história do Paraná foi no Couto Pereira. Eu tinha doze anos. Saí sozinho do Boqueirão, onde eu morava, onde é a Vila Olímpica e quis o destino que o meu último jogo do Paraná fosse no Couto Pereira”, relembrou Marcos.

Com o jogo rolando, a cada toque na bola, fosse em uma defesa difícil ou simplesmente uma recuada, os gritos e aplausos tomavam conta do estádio. Naquele momento, ele era mais importante que o confronto do Paraná Clube em si.

Nem mesmo o gol sofrido mudou o ambiente. Assim que o Boa marcou, os torcedores cresceram e apoiaram não só o goleiro, como o time todo, que arrancou o empate com Robson, já aos 48 do segundo tempo, para completar a festa.

Após o apito final, mais comemoração dos jogadores pelo acesso, mas essa festa novamente foi substituída pela emoção. Em seguida, Marcos deu uma volta olímpica no gramado do Couto Pereira, em uma mistura de sorriso e choro, se despedindo daquilo tudo. Parecia agradecer torcedor por torcedor. Quase todos ficaram lá para retribuir o carinho e aos gritos de “É o melhor goleiro do Brasil, Marcos”, aplaudiam aquele que era o último momento do grande ídolo em campo.

“Eu já chorei um monte, mas estou realizado. Se fosse para escolher um momento, não conseguiria imaginar uma coisa tão linda como essa. Meu sonho era colocar o Paraná na Série A. A torcida nos apoiou, nos deu força, fomos os melhores mandantes esse ano no Brasil e foi graças a eles. Por isso, muito obrigado a essa torcida, eles estão de parabéns”, agradeceu ele.