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Após “Missão Cumprida”, Marcos anuncia aposentadoria

41 anos, 364 jogos, uma vida tricolor e um dever cumprido. Sebastião Marcos Barbosa Oliveira, o Marcos que todo mundo conhece, o Marcão dos companheiros de Paraná Clube, está encerrando a carreira. Fará sua última partida neste sábado (25), às 17h30, contra o Boa Esporte, quando o Tricolor também encerra sua jornada no Campeonato Brasileiro da Série B. As lesões, que o perseguiram principalmente neste ano, foram determinantes para a decisão do goleiro, que seguirá trabalhando no clube.

A tendência é que Marcos ocupe o cargo de diretor de futebol, posto que era de Tcheco até ele se tornar auxiliar-técnico de Matheus Costa. O goleiro trabalharia ao lado de Rodrigo Pastana, já confirmado como gerente tricolor por mais uma temporada. Na terça-feira (21), em contato com a Tribuna, Pastana já havia dito que “Marcos deve passar para o meu lado. Ele não sai do Paraná Clube”.

Isto porque Marcos é muito mais que um goleiro do Paraná. É o jogador com mais partidas com a camisa do Tricolor. Tem um histórico que vem desde criança, quando ia aos jogos do time ao lado do pai. Formado no clube, estreou em 1997 no time profissional, e no ano seguinte virou titular. Com a volta de Régis do Coritiba, voltou para o banco em 1999, mas a partir de 2000, passou a ser um dos ídolos do torcedor paranista.

Aquele ano e as conquistas daquele ano rondaram a mente de Marcos nas últimas semanas. “Olhando aquele título de 2000, da Copa João Havelange, que completou 17 anos agora, me deu a sensação de que iríamos subir desta vez”, relatou o goleiro. Daquele título do Módulo Amarelo, apenas três jogadores seguem atuando – Marcos, o único no Paraná Clube; Hílton, ainda no futebol francês; e Lúcio Flávio, que jogou o segundo semestre no Joinville. “O Lúcio é muito importante nessa nossa trajetória. Fiz questão de falar com ele e agradecer por este período”, revelou o goleiro.

Quando fala isso, Marcos relembra todo o caminho que viveu desde que voltou do futebol português, em 2013. Retornou dizendo que era para colocar o Paraná na primeira divisão. “Só não pensei que ia demorar tanto”, brincou. Nesse tempo, ele viu administrações tumultuadas, crises financeiras e momentos de extrema dificuldade. “Nessas fases, o Marcão sempre foi muito importante pra gente. Ele é o nosso exemplo”, confirmou o volante Leandro Vilela, que tem uma história parecida – torcedor do Tricolor e que agora é um dos destaques do time.

Sofrendo com uma série de lesões neste ano, Marcos só atuou quatro vezes. Mas esteve em todos os momentos. “Ele é o cara. Ele me ajuda sempre”, disse o titular Richard, que consulta o companheiro até para ir em programas de TV. “Ele fala as coisas certas. É fundamental no vestiário”, complementou Leandro Vilela. Um exemplo? “Eles vinham falar de dificuldade em jogos contra o Luverdense. Aí eu dizia: ‘Dificuldade é pegar o Cruzeiro no Mineirão na quarta, voltar e enfrentar o São Paulo na Vila e nem treinar porque tem o Vasco no Rio já no meio da outra semana’. Isso é difícil, e é disso que eu sinto saudade”.

Esse tipo de postura incendiou o elenco do Paraná, do início até o final da temporada. A última mensagem no vestiário do estádio Rei Pelé foi, claro, de Marcos. “Vocês realizaram um sonho. Eu e toda a família paranista agradecem pelo que vocês fizeram”, disse o goleiro aos companheiros, à comissão técnica e à diretoria. Era a mensagem de um torcedor que teve a chance de vestir a camisa do time do coração, de conquistar títulos, de cumprir promessas e de chorar de felicidade. Feliz nova vida, Marcos.

Confira o texto de despedida do Paraná Clube a Marcos:

“Chegou a hora de dizer tchau aos gramados, meu ídolo.
Como um paranista que teve o privilégio de me defender dentro das quatro linhas, você honrou meu manto, sofreu, lutou, chorou, mas acima de tudo, deu muita alegria à nação paranista. Hoje, você está realizado. Como todo paranista está. Lutou o bom combate com maestria e ajudou a me colocar no lugar que mereço estar.

Faltam palavras para te agradecer por tudo o que você fez por mim e por minha nação. Só posso te dizer: MUITO OBRIGADO! Obrigado por ser fiel às minhas cores. Obrigado por aguentar os momentos difíceis que passamos. Obrigado por mostrar o caminho correto a outros jogadores. Obrigado por respeitar esta camisa. Obrigado por dar alegria a tanta gente.

Sábado, às 17h30, a bola rola para o nosso último jogo. Meu último jogo pela Série B. Teus últimos 90 minutos como atleta profissional. A emoção vai tomar conta daquele lugar e toda uma nação estará lá para cantar: P*** QUE O P**** É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL, MARCOS!

Paranista, sábado, teu lugar é ali no Couto Pereira, comigo, com o Marcos e toda a nação Tricolor.”