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Walter garante ter paciência

Walter apareceu sorridente na sala de imprensa do CT Joaquim Grava na tarde desta quinta-feira, ainda com o seu uniforme de treinamento sujo e animado pela vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, no dia anterior. Não demorou muito para a feição dele mudar. O goleiro do Corinthians enfrentou dezenas de perguntas monotemáticas sobre uma eventual insatisfação com a condição de reserva absoluto de Cássio, durante mais de meia hora. Mesmo sem jeito, mostrou ser paciente, tanto com a insistência no assunto quanto com o fato de estar em desvantagem na disputa pela titularidade.

“Não tenho limite. Saí do XV de Jaú, passei por lesões muito sérias quando era mais jovem, joguei em mais um monte de times pequenos e hoje estou brigando pela vaga de titular do Corinthians com um campeão mundial. Para mim, isso já é motivo de vitória. É claro que a gente almeja jogar sempre, e já tive esse gostinho, mas vou trabalhando da mesma forma”, discursou Walter.

Bastante elogiado pelos torcedores do Corinthians em 2016 – ao contrário de Cássio, que viu uma negociação com o turco Besiktas fracassar no início da temporada e está longe das boas atuações que o alçaram ao status de ídolo –, Walter chegou a se firmar como titular no final da última passagem do técnico Tite pelo clube. Mas sofreu uma lesão muscular na coxa direita e viu Cristóvão Borges, sucessor do comandante da Seleção Brasileira, tornar o seu concorrente novamente o dono da posição. O interino Fábio Carille já fez o mesmo.

“Desde as épocas do Tite e do Mano Menezes, quem saía do time por ter se machucado normalmente voltava como titular. Então, fiquei um pouco chateado naquele período do Cristóvão. Estava em uma sequência boa e voltei da lesão até antes da hora. Fica um pouquinho de tristeza, mas a gente acata. Tentei ajudar da mesma forma, dar dicas. Sei que todos são passageiros no clube”, comentou Walter.

Desde 2013 no Corinthians, o goleiro tem consciência de que ele próprio poderá encurtar a sua passagem pelo clube. Walter participou da derrota para o Fluminense e da vitória sobre o Cruzeiro, os dois últimos compromissos da equipe, porque Cássio está com o ombro esquerdo contundido e concordou que as suas boas atuações não chamam a atenção apenas de corintianos.

“Fazendo um bom trabalho, acabam pintando coisas. Não tem como fugir disso. A gente viu quantos jogadores saíram do Corinthians. Só que não fico pensando no futuro. Ninguém sabe o dia de amanhã. Não descarto futuros negociações. Está em aberto”, avisou Walter, antes de recobrar o estilo comedido. “O pensamento é sempre estar aqui. Estou muito feliz. Lutei para chegar ao Corinthians e quero ficar o maior tempo possível”, acrescentou o goleiro, negando que já tenha sido sondado por São Paulo e Palmeiras, conforme fora especulado.

O clamor para que Walter seja efetivado como titular por Fábio Carille não parte apenas de torcedores do Corinthians. Após o jogo de quarta-feira, o preparador de goleiros Mauri Costa Lima também indicou a sua preferência pelo jogador, que elegeu entre os cinco melhores brasileiros da posição. “Fico feliz por ouvir isso. Mas o Mauri também sempre respeitou o Cássio e todos os meninos, assim como eu faço. O respeito é mútuo entre nós. Somos amigos. Não há nada polêmico”, esquivou-se Walter, ciente de que a predileção do treinador já incomodou Cássio, com quem tem relação de amizade fora do ambiente profissional, no passado.

Depois de tanto fugir de polêmica, já com os dedos irrequietos sobre a mesa de onde concedia entrevista, Walter começou a dar leves sinais de impaciência. E respirou fundo, aliviado, ao escutar duas perguntas sobre a situação do Corinthians no Campeonato Brasileiro. “Obrigado!”, agradeceu, voltando a sorrir com a mudança de assunto.